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Os seis primeiros anos na vida da criança

Por Danielly Magioni

Você sabe o que é a primeira infância e qual é a sua importância? Esse período compreende os seis primeiros anos de vida de uma criança e é considerado fundamental para o desenvolvimento cerebral, para a formação das competências humanas. Já se sabe que em nenhuma outra fase da vida as respostas serão tão rápidas.

Um dos pesquisadores mais respeitados atualmente, o professor da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, James Heckman, prêmio Nobel de Economia, respondeu, quando questionado sobre por que motivo os primeiros anos de vida são tão decisivos:

“É uma fase em que o cérebro se desenvolve em velocidade frenética e tem um enorme poder de absorção, como uma esponja maleável. As primeiras impressões e experiências na vida preparam o terreno sobre o qual o conhecimento e as emoções vão se desenvolver mais tarde. Se essa base for frágil, as chances de sucesso cairão; se for sólida, vão disparar na mesma proporção. Por isso, defendo estímulos desde muito cedo”, disse.

Hoje, a tecnologia e a ciência conseguiram comprovar que os estímulos do ambiente e também das interações têm impactos determinantes na formação do cérebro. E que as conexões entre os neurônios se estabelecem em menor ou maior velocidade a partir dessas interações.

Já se sabe que crianças bem estimuladas têm maior capacidade cognitiva e um melhor desempenho escolar, além de diminuírem as chances de se envolverem com o crime e de usarem drogas. Em resumo, está comprovado que amar, brincar e cuidar são os principais fundamentos para o desenvolvimento das crianças, principalmente porque o vínculo é sinônimo de segurança.

Isso mesmo! Uma relação emocional de qualidade entre pais e filhos durante a primeira infância tem o maior impacto. Isso porque a criança, ao confiar no adulto, aprende a regular as suas emoções, a explorar o mundo com confiança e a se comunicar. Ou seja, crianças apoiadas têm mais chances de serem adultos positivos e seguros.

Com isso, é até possível prever se uma criança será bem sucedida ou capaz de fazer boas escolhas no futuro. Essa foi a conclusão a que chegaram dois estudos lançados durante o 6º Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, quando foram reunidas informações de mais de 150 estudos científicos, leis e pesquisas para demonstrar que, apesar de não serem fatores únicos, vínculos familiares e ambientes saudáveis são essenciais nos seis primeiros anos de vida para desenvolver características cerebrais presentes em adultos autônomos e com mais qualidade de vida.

Nos estudos denominados “Importância dos Vínculos Familiares na Primeira Infância” e “Funções Executivas e Desenvolvimento na Primeira Infância”, do Núcleo Ciência Pela Infância, os pesquisadores explicam que as funções cerebrais responsáveis por muitas habilidades necessárias na vida são geradas até os seis anos com as funções executivas, um conjunto de três dimensões composto por memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva.

São essas funções executivas que nos permitem, por exemplo, armazenar e relacionar informações a curto prazo, ter domínio sobre a atenção e o comportamento e considerar diferentes pontos de vista antes de tomar uma decisão. E elas são processadas nas regiões pré-frontais do cérebro, que amadurecem até o início da vida adulta, mas que têm seus fundamentos esculpidos e consolidados na primeira infância.

E, para que todo o potencial genético se desenvolva, os pesquisadores apontam que são necessárias interações sociais saudáveis, pois as crianças têm a tendência de se vincular às pessoas próximas, que cuidam dela. Caso esses adultos não respondam a essas expressões da criança, às necessidades de cuidado, de carinho, de acolhimento, estudos mostram que há um prejuízo no desenvolvimento cognitivo, emocional e até físico.

O desenvolvimento cerebral da criança

É na primeira infância que o cérebro mais precisa de estímulos. Isso porque 90% das conexões cerebrais são estabelecidas até os 6 anos. Um estudo mostrou que o cérebro aumenta em 101% ao longo do primeiro ano de vida e em 15% no decorrer do segundo ano. Foram analisadas 84 crianças com idade entre duas e quatro semanas, 35 crianças de um ano, e 26 de dois anos. E, ao comparar esse e outros dados recentes com estudos feitos com crianças mais velhas, foi possível começar a responder perguntas sobre a influência do ambiente no crescimento do cérebro dos bebês.

Outro dado curioso e extremamente importante é que o cérebro de um recém-nascido tem um terço do tamanho adulto, mas aumenta para metade do de um adulto em apenas três meses, cerca de 1% maior a cada dia. Em nenhum outro momento da vida o cérebro muda de tamanho tão rapidamente.

E, você sabia que o cérebro do recém-nascido passa por um processo de crescimento e “poda”? Ou seja, as vias neurais ineficientes e que não estão sendo utilizadas são eliminadas, enquanto que as úteis são reforçadas. Daí a importância de se estimular a criança.

Sim, descobriu-se que os neurônios são capazes de se modificar e até mesmo de se autorreproduzir em alguns locais do cérebro. A essa capacidade adaptativa do Sistema Nervoso Cerebral deu-se o nome de Plasticidade Cerebral. Em resumo, a habilidade de modificar a organização estrutural e funcional em resposta à experiência, aos estímulos do ambiente.

Ah, e fica mais uma dica sobre a importância dos primeiros anos de vida: metade do potencial de inteligência de uma pessoa é desenvolvido por volta dos 4 anos de idade, segundo a Unicef. Ou seja, intervenções na primeira infância podem ter efeitos sobre a capacidade intelectual, a personalidade e o comportamento social futuros.

Crianças entendem tudo

Durante muito tempo, acreditava-se que a mente dos bebês era uma folha de papel em branco e que eles aprenderiam absolutamente tudo por meio de estímulos externos. Hoje, já se sabe, a partir de diversas pesquisas sobre a cognição infantil, que existe uma ampla gama de competências presentes desde os primeiros meses de vida – até mesmo dentro do útero -, substituindo visões anteriores que subestimavam as capacidades da mente infantil.

Apesar de não haver um consenso sobre o que as crianças, de fato, sabem, vários estudos dão uma ideia da capacidade desses pequenos seres. Por exemplo, uma pesquisa da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mostrou que os bebês conseguem diferenciar quem age de maneira positiva, de quem prejudica os outros.

Como descobriram isso? Eles colocaram um grupo de bebês de 9 meses e um ano de idade para assistirem desenhos animados em que um personagem tenta prejudicar o outro. Depois, ofereceram os bonecos desses desenhos para as crianças brincarem e elas escolheram o que representava o bonzinho da história.

Outro experimento, da Universidade de Washington, revelou um senso de justiça nas crianças. Durante a pesquisa, 50 meninos e meninas com 15 meses de idade assistiram a um filme em que uma dupla de adultos recebia pratos com biscoitos. Em uma das cenas, ambos ganhavam a mesma quantidade. Em outra, a divisão era desigual. O teste feito era de atenção e, como previsto, as crianças olharam mais fixamente para a cena da desigualdade, talvez incomodadas com a injustiça.

Há, ainda, estudos que apontam para um certo conhecimento sobre leis da física presentes em bebês de seis meses, conforme experimento da Universidade de Harvard. Esses bebês se mostraram confusos e surpresos quando objetos ficavam suspensos no ar, por exemplo.

Como auxiliar no desenvolvimento da criança

Além de propiciar os cuidados básicos com saúde e educação, pais, mães e outros educadores precisam ficar atentos a fatores considerados fundamentais para um desenvolvimento pleno. Um deles é o afeto, que falamos lá no início deste texto. Ao se estabelecer o vínculo familiar, a criança confia no adulto e aprende a regular as próprias emoções, a explorar o mundo com mais confiança e a se comunicar.

Quer saber mais? Comece por não ser um obstáculo. Deixe que ela explore o ambiente em que vive, que exercite a própria autonomia desde muito cedo. A autonomia, aliás, é uma das bases da filosofia de Maria Montessori e também de Jane Nelsen, a Disciplina Positiva, ambos temas de cursos do MundoemCores.com.

Também é preciso estimular a criança, respeitando a sua idade e desenvolvimento, e permitir que ela tenha tempo para brincar. Sim, a maioria dos adultos não dá importância para as brincadeiras, mas elas são fundamentais. É pelo brincar que a criança adquire habilidades que serão utilizadas nas relações com as outras pessoas, que ela compreende o modo como o mundo funciona.

Viu só como é importante valorizar a primeira infância? Perder essa grande janela de oportunidades no desenvolvimento do seu filho pode ter implicações sérias por toda a vida. Por isso, você entender sobre crianças e aprender maneiras de lidar com elas para que possa extrair todo o seu potencial. Nós, do MundoemCores.com (http://www.mundoemcores.com), estamos aqui para dar aquela ajuda. Assista aos nossos cursos.

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