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O que é a Parentalidade Distraída?

Você sabe o que é a parentalidade distraída? Neste texto você vai entender esse conceito e também como ele pode ser prejudicial para a sua criança

Por Danielly Magioni

Parentalidade distraída

Sabe aqueles momentos em que você está com a criança em casa, mas não larga o celular? Pesquisadores vêm estudando esse novo fenômeno, ao qual deram o nome de parentalidade distraída. E você precisa saber quais as consequências desse comportamento na vida do seu filho.

Em primeiro lugar, não há como negar que a tecnologia entrou de vez na rotina das famílias. Em muitas vezes ela ajuda e, em outras, atrapalha. Por exemplo, já se sabe que o uso excessivo por parte das crianças é prejudicial. Por outro lado, quando quem utiliza demais são mães/pais, e na presença dos filhos, o efeito também não é positivo.

Pesquisa sobre a distração dos pais

Para provar a percepção das crianças sobre a distração dos pais, a pesquisa anual State of the Kid, da Highlights Magazine, nos Estados Unidos, questionou os pequenos. 

Meninos e meninas de 6 a 12 anos responderam à pergunta: “Seus pais estão sempre distraídos quando você está tentando conversar com eles?”. Em resumo, 62% das crianças disseram que sim. Sendo que 28% apontaram o celular como o objeto de distração, seguido pelos irmãos (25%) e pelo trabalho (16%). 

Parentalidade distraída pode ser parentalidade severa

Além disso, por estarem distraídos com o telefone celular, os pais têm a tendência de responderem aos seus filhos com mais severidade. Foi o que revelou um estudo realizado por Jenny Radesky, dos Estados Unidos.

Durante a pesquisa, foi feita uma observação secreta de cuidadores e crianças em restaurantes fast food (lanchonetes). De um total de 55 adultos, 40 usaram o celular durante a refeição, sendo que 16 utilizaram o aparelho quase que continuamente.

Dentre as crianças que estavam com esses cuidadores/pais/mães, algumas aceitaram a falta de atenção, enquanto que outras mostraram comportamentos inadequados. Como resultado, esses pais tendiam a responder às perguntas sem desviar o olhar dos aparelhos e, ainda, respondiam duramente ao mau comportamento.

Para entender melhor as consequências da parentalidade distraída, separamos os assuntos entre os riscos óbvios dessa prática e os riscos menos óbvios. Por exemplo, verificou-se que os pais distraídos têm um impacto no desenvolvimento social e emocional das crianças. (Para entender melhor sobre o assunto, assista ao curso O Desenvolvimento Cerebral da Criança)

Riscos óbvios da parentalidade distraída

Uma das consequências da parentalidade distraída é o maior número de acidentes com as crianças. Porque, obviamente, quando os olhos dos pais estão no telefone celular, não estão nos filhos.

Prova disso são estudos que revelam uma correlação entre a incidência de lesões no parquinho e a desatenção dos pais relacionada à tecnologia. Para se ter uma ideia, mais de 200 mil crianças são tratadas em pronto-socorros nos Estados Unidos anualmente devido a quedas em playgrounds, conforme a Consumer Product Safety Commission.

Por isso, a PAS, Sociedades Acadêmicas Pediátricas, no mesmo país, realizou dois estudos e, então, passou a sugerir que o adulto mantenha o foco no filho para garantir que ele brinque em segurança.

Pesquisa sobre parentalidade distraída no parquinho

Para examinar os tipos de distração, incluindo dispositivos eletrônicos, que podem interferir na supervisão dos pais, dois pesquisadores observaram cuidadores e crianças em sete parquinhos de Nova York. Além disso, eles procuraram determinar se as crianças corriam mais riscos quando seus cuidadores estavam distraídos.

Durante o estudo, – divulgado pela Academia Americana de Pediatria -, foram selecionados, aleatoriamente, cuidadores com somente uma criança que aparentava ter entre 18 meses e 5 anos de idade. Então, esses cuidadores foram observados por 10 a 20 minutos e, nesse tempo, um pesquisador registrava quatro comportamentos a cada dois minutos: supervisão visual, auditiva, engajamento e distração.

Enquanto que o outro avaliava com que frequência a criança assumia riscos. Um total de 50 pares cuidador/criança foi observado, o que resultou em 371 episódios de dois minutos. Desses, o adulto permaneceu distraído em 74% das vezes.

No entanto, a maioria das distrações foi considerada leve. Sendo que 33% dos adultos estavam distraídos conversando com outros adultos, 30% estavam utilizando o celular e 37% se distraíram comendo, bebendo, procurando algo em uma mochila, lendo etc.

30% das crianças se envolvem em comportamentos de risco

Ainda durante o estudo, cerca de 30% das crianças se envolveram em comportamentos de risco nos parquinhos, como: subir no escorregador, jogar areia, deslizar com a cabeça primeiro, empurrar as outras crianças e pular de balanços em movimento.

Mas, aquelas cujos cuidadores estavam distraídos tinham uma probabilidade significativamente maior de se envolver em comportamentos de risco. Ou seja, das cinco quedas observadas, três ocorreram enquanto o adulto estava distraído. A boa notícia é que nenhuma delas ficou gravemente ferida.

Riscos menos óbvios da parentalidade distraída

Vimos até aqui que o risco óbvio da parentalidade distraída é a lesão física da criança. No entanto, o que é menos óbvio, e potencialmente mais preocupante, é que isso pode impactar no desenvolvimento social e emocional dos pequenos.

Foi o que mostrou um estudo baseado em animais e publicado na revista Translational Psychiatry. Entre os impactos no desenvolvimento de bebês, os cientistas identificaram, especialmente, uma interferência na capacidade de processar prazer.

Apesar de envolver ratos, as implicações da pesquisa, conduzida pela Universidade da Califórnia, podem ser muito relevantes para as interações entre pais e bebês em um mundo obcecado por tecnologia.

Como se deu a pesquisa

Durante o estudo, foram colocados mães e filhotes em gaiolas modificadas e que não tinham material suficiente para um ninho/cama. Ou seja, as mães ficaram distraídas buscando um ambiente melhor e deram aos bebês uma atenção interrompida e não confiável.

Sendo assim, o desenvolvimento desses recém-nascidos foi comparado ao de bebês ratos criados em gaiolas normais, com material suficiente para que as mães pudessem criar um lar confortável.

Quando esses filhotes cresceram, os pesquisadores testaram a quantidade de açúcar que ingeriam e como brincavam com seus pares, duas medidas de quanto prazer os animais estavam sentindo e um substituto para o desenvolvimento emocional.

O resultado da pesquisa

Como resultado, foi identificado que os ratos criados no ambiente modificado ingeriam constantemente menos solução de açúcar e passavam menos tempo brincando com outros ratos do que os que foram criados no ambiente normal.

Após analisar esses dados, os pesquisadores concluíram que o que diferenciou esses ratos foi o tipo de atenção que receberam de suas mães. Ou seja, as mães, estressadas pela falta de um ambiente adequado, tendem a ser mais imprevisíveis.

Qual é a implicação desse estudo em bebês humanos?

Para os cientistas, o fato de os ratos adolescentes apresentarem sinais de sensações de prazer comprometidos sugere que, assim como em sistemas como visão e audição, pode haver uma janela crítica na qual os recém-nascidos precisam ser expostos a certos comportamentos da mãe para que seu sistema nervoso se desenvolva adequadamente.

Isso quer dizer que a falta de atenção consistente, repetitiva e confiável pareceu afetar a capacidade dos animais de desenvolver conexões emocionais adequadas para ajudá-los a entender o prazer. E que, para as pessoas, pode haver um período crítico semelhante durante o qual os bebês precisam ter a atenção confiável e consistente de uma mãe e um pai para formar processos emocionais adequados. 

O que inclui saber que em um determinado horário, por exemplo, a comida chegará. E se a mãe se distrair com o telefone celular, esse padrão será quebrado e o aprendizado crucial pode não acontecer. Outros estudos mostraram, ainda, que esse desenvolvimento deficiente do sistema de prazer pode contribuir para transtornos do humor, como depressão e ansiedade.

Como NÃO ser um pai e uma mãe distraídos?

Agora que você já entendeu o conceito de parentalidade distraída, vamos falar mais sobre como não ser um pai e uma mãe distraídos. Por exemplo, perceba quando a criança está tentando chamar a sua atenção. Seja sensível aos comportamentos positivos dela, observando quando são gentis, amigáveis, quando estão compartilhando etc.

Além disso, separe algum momento do dia para estar 100% conectado ao seu filho, sem a interferência de eletrônicos. Saiba mais sobre isso assistindo aos cursos O Verdadeiro Poder dos Pais, Entendendo o Comportamento da Criança e Educando com Disciplina Positiva.

E, caso seja necessário atender a uma ligação ou responder a uma mensagem importante, diga isso ao seu filho: “Filho, mamãe precisa de cinco minutos para resolver um problema do trabalho e já já a gente volta a brincar“.

Também vale deixar separada uma parte do dia para utilizar esses aparelhos. Mas, lembre-se de respeitar a faixa etária da criança e as recomendações sobre o tempo de tela. E não se distraia completamente! Supervisione o que seu filho está assistindo.

Negligência benigna também é importante

Ok, você já entendeu que precisa se conectar à sua criança. Porém, isso não significa que você tem de limitar o seu filho. Para explicar melhor, vamos trazer um contraponto:

Por exemplo, os especialistas também recomendam uma dose de negligência benigna com as crianças. Isso quer dizer dar espaço para que elas descubram seus próprios interesses e aprendam a resolver os problemas gerenciáveis. 

Em suma, o importante é você estar disponível para dar as respostas a elas quando solicitarem. Mesmo que a resposta em si não seja dada – para que elas a procurem – mas, que a sua atenção esteja em seu filho quando ele a requisitar. Ou seja, deixe sempre a porta aberta ao diálogo.

E, para finalizar, sabemos que a maioria das mães/pais se sente culpada e é preciso que se diga que ninguém poderá estar 100% atento aos filhos. Desse modo, o objetivo é encontrar um equilíbrio e mostrar a eles o quanto são importantes. Além de, é claro, responder às suas necessidades. Para aprender mais sobre crianças, assista aos cursos do MundoemCores.com.

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