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Não rotule a sua criança!

O que os rótulos trazem como consequências para o seu filho? Você sabia que isso pode comprometer fortemente a autoestima e o desenvolvimento das crianças?

Por Danielly Magioni

“Você é muito bagunceiro!”. “Nunca vi uma criança tão levada quanto você!”. “Que menino teimoso!”. Essas são algumas frases que você, provavelmente, já falou ou ouviu. Mas, pense bem sobre elas! O que esse tipo de rótulo traz de consequências para o seu filho? E não são poucas! Estamos falando sobre aspectos negativos, como comprometer fortemente a autoestima e o desenvolvimento dos pequenos.

Uma enquete realizada pela revista Crescer revelou que 55% dos pais e mães têm o hábito de criticar os seus filhos e, com isso, acabam criando um estigma que essas crianças carregam por toda a vida. Sim, porque nós sabemos o quanto a opinião do pai e da mãe pesa. Como costuma dizer Elisama Santos, autora do curso online Educando com Disciplina Positiva (clique aqui), do MundoemCores.com, rótulos são profecias autorrealizáveis.

“Você já parou para pensar se a forma como você fala com seu filho o ajuda a ter uma boa imagem de si mesmo? Se você chamar a sua criança de bagunceira, ela vai entender que o é, e vai continuar sendo. Se você diz que seu filho é teimoso, ele – que é apenas uma criança em aprendizado – acreditará que é teimoso, criará uma autoimagem dessa forma e vai aceitar a teimosia como uma de suas características”, alerta.

Isso acontece porque as crianças estão desenvolvendo o seu caráter e a sua personalidade e acabam por assimilar esses rótulos como características principais. Ou seja, com essas atitudes, os adultos praticamente predeterminam como os filhos são ou serão. Além de reduzir todas as possibilidades que a criança tem de ser inúmeras coisas ao mesmo tempo.

“Se eu digo para uma criança, um ser em formação, que está construindo a narrativa da própria história, que ela é teimosa, desobediente, mal-educada, chata ou qualquer outra coisa, estou dizendo quem ela é. Quantas vezes estamos aprisionando os nossos filhos em apenas uma das suas características? Chorona, desastrada, gulosa, preguiçosa, desinteressada. Julgamentos nossos. Verdades pra eles. Geramos resultados dos quais queremos fugir”, completa Elisama.

Até mesmo como uma forma de tentar agradar os pais, de atender às suas expectativas, a criança passará a se comportar da maneira como foi rotulada. Outro ponto a ser observado  é que, ao rotularmos nossos filhos, eles processam aquela informação como uma crítica pessoal, à personalidade, e não ao comportamento em si.

E isso já foi observado anos e anos atrás, pela educadora, médica e pedagoga Maria Montessori (1870-1952). Desde aquela época, Montessori alertava que os adultos deveriam esquecer os seus julgamentos e apenas observar as crianças.

Quer mais um argumento? Quando rotulamos, podemos cometer mais um erro: “Pais ou professores podem se tornar ‘surdos’ ou ‘cegos’ para algumas necessidades das crianças. Por exemplo, se uma criança é rotulada como chorona, qualquer choro poderá ser desconsiderado, não levado a sério. Dessa forma, não se olha verdadeiramente para essa criança que chora”, destaca a psicóloga Tamira Viana, que está preparando um novo curso para o MundoemCores.com.

Rótulos positivos

Nessa hora, você pode estar pensando: “Mas, e os rótulos positivos? Posso elogiar a criança? Posso falar que minha filha é boazinha?”. Convidamos você a analisar um outro ponto de vista. Veja o que diz a Tamira sobre os rótulos positivos:

“Muitos acreditam que se disserem que as crianças são boazinhas, inteligentes, calmas, isso fará com que sejam. Porém, todos nós podemos ser muitas coisas, e quando elas recebem o rótulo, isso faz com que entendam que só podem responder daquela forma às situações. Então, a criança acaba ficando aprisionada e sofrendo a pressão de ser sempre boazinha, calma ou inteligente. Muitos adultos gastam muita energia para conseguir se posicionar diferente e mostrar para si mesmos e para o mundo que também são nervosos ou agitados, por exemplo, e que isso não é necessariamente um problema”, orienta.

Um estudo publicado no periódico Psychological Science mostrou que ressaltar as qualidades da criança pode fazer com que ela trapaceie. Durante a pesquisa, grupos de crianças, de 3 e 5 anos, tinham de responder a um questionário que continha um alerta de “não vale colar”. Aquelas que eram o tempo todo elogiadas por sua inteligência foram mais propícias a espiar as respostas. Mas, por quê? Simplesmente porque querem continuar sendo elogiadas e, para conseguir o elogio, fazem de tudo para corresponder às expectativas dos pais.

“Se posso dar um conselho importante aos pais e mães é: não aprisionem as suas crianças no triste papel de quem vive para agradar. Sair dele, na vida adulta, exige uma força imensa. Dói. Dói muito. Que os nossos filhos possam ser complexos, múltiplos e inteiros como merecem ser. Com as suas luzes e sombras”, destaca Elisama Santos.

Como agir então?

A principal dica dos especialistas é: fale sobre a atitude da sua criança e não sobre a sua criança em si. Portanto, ao comentar uma situação, foque no comportamento. Uma boa saída é deixar que a criança chegue à conclusão do que fez de errado. Ou seja, em vez de dizer “Você é muito bagunceiro”, prefira “Filho, dê uma olhada aqui no seu quarto. Veja se tem algo fora do lugar”.

Vale, também, descrever o comportamento da criança. Para isso, evite o “Você é muito mal-educada” e escolha o “Quando você grita, não consigo escutar o que os outros estão dizendo”. Assim, seu filho entende que você está desaprovando apenas o comportamento, e não ele como pessoa.

Outra dica positiva é focar nas consequências. Se a criança derrubou o suco no momento em que tentava se servir, nada de chamá-la de desastrada ou desatenta, apenas dê a ela um pano ou um papel para secar. O próprio erro e a consequência de ter de limpar a sujeira vão servir de aprendizado, sem que, para isso, o adulto tenha de dar aquele famoso “sermão” ou que precise utilizar um rótulo que terá um peso enorme na vida do pequeno.

É o que já dizia Maria Montessori: “O meu erro apontado por mim mesmo gera frustração e se refaz. Um erro meu apontado pelo outro gera desmotivação”. Ela se referia às situações em que a criança tenta fazer algo por conta própria e não consegue, como colocar o próprio suco e derramar. Nesse caso, não é necessário que o adulto a rotule de desastrada e que nem mesmo intervenha, pois ela entendeu, nas próprias atitudes, o que aconteceu.

Ajude a criança a lidar com a situação. Se, por exemplo, seu filho apresenta momentos de timidez e tem dificuldade em interagir com outras crianças, não diga que ele é tímido, pois, como já dissemos, ele entenderá que é uma criança tímida e não fará esforços para mudar esse comportamento. Ao contrário, procure encorajar o pequeno a vencer as próprias limitações.

Siga esses três passos ensinados pela Isa Minatel, autora dos cursos Montessori em Casa (clique aqui) e Temperamentos da Criança ao Adulto (clique aqui): incentive-o a ir sozinho; se não der certo, chame uma criança conhecida para introduzi-lo aos outros; e, se não funcionar, vá um pouco com o seu filho e depois saia de cena.

Caso os momentos de timidez ocorram quando a criança precisa cumprimentar outro adulto – e nesses momentos o mais comum é ela se esconder atrás do pai ou da mãe – em vez de dizer que ela é tímida, que tal perguntar “Você quer dar ‘oi’ para o amigo da mamãe?”, ou “Que tal acenar para o amigo da mamãe?”.

Da mesma maneira, dizer que seu filho é preguiçoso não irá encorajá-lo a mudar. Ao contrário, fará com que acredite fielmente nessa característica. Para evitar que isso aconteça, esqueça a palavra “preguiçoso” para não reforçar o comportamento e encontre outras maneiras de motivar a sua criança. E o mesmo vale para outros rótulos, como o de levado, atentado, pestinha, terrível, sem limites etc.

Tenha sempre em mente que os rótulos são uma maneira de interpretar uma situação, que não são verdades absolutas e nem são capazes de determinar quem nós somos. Para uma pessoa, uma criança pode ser considerada teimosa, para outra, seu comportamento nada mais reflete do que determinação, por exemplo. Em resumo, rótulos são apenas interpretações de um comportamento.

E que tal um reforço positivo para ajudar? Pergunte à sua criança quais as outras qualidades que ela possui. Aposte no diálogo, no elogio descritivo, ressaltando o que a criança fez. “Você foi muito generoso dividindo o seu brinquedo com o amigo”. “Você se vestiu sozinho!”. “Olha, você procurou o brinquedo que queria e achou sem ajuda”. Sempre elogiando a atitude e não a pessoa.

“Antes de rotular o seu filho pense: em quê essa fala vai contribuir na vida dele? Qual é o propósito de dizer a ele coisas desagradáveis? Meu dia será melhor depois disso? E o dele? Estou melhorando a nossa convivência de alguma forma? Ok, pode ser que você faça porque é o normal, porque todo mundo faz. Mas, é possível que, na sua história, existam marcas profundas causadas pelos rótulos que recebeu. E o seu filho não precisa ter também. Nenhuma característica isolada nos define. Quando alguém rotula meus filhos, eles respondem imediatamente: ‘Ninguém é uma coisa só!’. A liberdade é a maior herança que podemos ofertar a eles, completa Elisama.

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