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A importância do pai na vida da criança

Muitos acreditam que a mãe tem papel principal no desenvolvimento dos filhos. Mas, pesquisas recentes revelam a importância do pai na vida da criança

Por Danielly Magioni

Pesquisas recentes revelam a importância do pai na vida da criança

Muito se fala sobre o papel fundamental da mãe na educação e formação dos filhos. Por outro lado, hoje já se sabe o tamanho da importância do pai na vida da criança. Prova disso são as recentes pesquisas científicas que mostram os benefícios da presença paterna, que influencia na infância, na adolescência e até mesmo na vida adulta. 

Por exemplo, a interação entre pai e filho é um dos principais fatores para o desenvolvimento cognitivo e social da criança, uma vez que facilita a capacidade de aprendizagem e a integração desse pequeno na comunidade. É o que explica a nossa especialista Isa Minatel. Ela é autora dos cursos Montessori em Casa e Temperamentos da Criança ao Adulto.

“O pai é o primeiro outro da nossa vida. Porque, por muito tempo eu, enquanto bebê, acredito que sou uma coisa só com minha mãe. Então, o primeiro outro da minha vida é o meu pai. Por isso, eu vou ter a sensação de que os outros podem ser legais comigo se meu pai for. Eu vou ter a sensação de que preciso me defender ou atacar, se meu pai for rude comigo. Vou ter muito mais probabilidade de me tornar uma pessoa com sérios problemas emocionais se meu pai não for bom em termos de relacionamento comigo”, explica. 

Cérebro masculino também muda com a paternidade

Além disso, a influência da paternidade acontece também no cérebro masculino. Isso porque, quando se torna pai, o homem sofre uma reestruturação cerebral e ganha novos neurônios e conexões. Especialmente no hipocampo, parte ligada à memória e ao aprendizado. Exatamente como acontece com a mulher, como descobriu a neurocientista Kelly Lambert, do Randolph-Macon College, nos Estados Unidos.

A nossa Especialista Carol Winner também fala sobre o que acontece no cérebro do pai, após a chegada o bebê, no Curso O Desenvolvimento Cerebral da Criança.

O que a rejeição paterna pode causar

Em primeiro lugar, é preciso saber o impacto que a rejeição paterna pode causar. Como revelou um estudo feito pela Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos. Ele mostrou que os jovens que se sentem acolhidos em casa são mais independentes e emocionalmente estáveis. E mais, têm maior autoestima e mantêm uma visão positiva de mundo.

Mas, ao contrário, aqueles que se sentem rejeitados, demonstram hostilidade, sentimentos de inadequação, instabilidade e uma visão negativa das situações. “A ênfase na figura da mãe levou a uma tendência inadequada de responsabilizá-la pelos problemas de comportamento das crianças. Quando, de fato, o homem está muito mais implicado nessas situações”, alerta um dos pesquisadores. 

Prova disso é a constatação da pesquisa no que se refere à rejeição. Ela mostra que é a rejeição paterna que causa danos emocionais. Embora muitos acreditem que a materna seja a principal responsável por esses danos. Isso porque as crianças se mostraram muito mais sentidas ao serem rejeitadas pela figura masculina.

Soco no estômago

Para se ter uma ideia do impacto da rejeição, esses pesquisadores chegaram à conclusão de que ela provoca um sentimento assemelhado à dor causada por um soco no estômago. Ou seja, a rejeição ativa as mesmas regiões do cérebro de quando sentimos dor física.

Além disso, os estudiosos revelaram que as crianças rejeitadas tendem a se tornar mais ansiosas, inseguras, hostis, agressivas e com dificuldades em criar laços de segurança e confiança.

Pai estressado, filho estressado

E por falar em influência negativa, também já se sabe que pai estressado ou depressivo provoca comportamento semelhante nos filhos. Como consequência, esses podem transmitir essa condição para a próxima geração. Essa foi a conclusão de um estudo da Tufts School of Medicine, outra instituição dos Estados Unidos.

Da mesma forma, pesquisadores da Michigan State University analisaram os efeitos do estresse paterno nas crianças. Como resultado, descobriram que isso pode gerar problemas mentais como depressão e ansiedade nos pequenos. Dados de 730 famílias em todo o país foram avaliados.

Em resumo, isso mostra que o estresse afeta a relação de pai e filho e, portanto, influencia no desenvolvimento da criança. Revelando, então, um impacto nas habilidades sociais, tais como autocontrole e capacidade de cooperar em casa. E mais, a influência foi ainda maior entre os meninos, provavelmente por se identificarem com a figura paterna.

Estresse X Linguagem

Outro dado alarmante foi mostrado na pesquisa. O nível elevado de estresse do pai quando seus filhos tinham 2 e 3 anos foi danoso para o desenvolvimento cognitivo da linguagem da criança. Todos esses problemas surgiram independentemente da influência positiva que a mãe exercia.

Filhos sem pais são mais propensos a serem presos

Crescer sem a figura paterna também pode resultar em criminalidade e pobreza. É o que defendem pesquisadores dos Estados Unidos. No Brasil, basta analisar dados de jovens infratores. Entre 2014 e 2015, 1,5 mil jovens de 12 a 18 anos cometeram delitos no estado de São Paulo. Desse total, 42% não conviviam com o pai e nem tinham contato com ele.

Voltando aos Estados Unidos, dados do Departamento da Saúde do governo enfatizam que crianças sem o pai têm seis vezes mais chances de viverem na pobreza. Além disso, são mais propensas a repetir de ano, a abandonar os estudos antes dos 18 anos, a cometer atos infracionais e a engravidar na adolescência.

Pobreza e delinquência

Por exemplo, a advogada Meredith Wiley levantou histórias de adolescentes infratores no estado de Oregon. Como resultado, ela percebeu que, depois da pobreza, o fator que mais influencia a delinquência juvenil é a falta do pai. Wiley é autora de “Ghosts from the Nursery – Tracing the Roots of Violence, ou, “Fantasmas no Berçário – Rastreando as Raízes da Violência”.

Na mesma linha, o Census Bureau USA revela alguns dados. Em suma, sugere que crianças em lares de pais ausentes são mais susceptíveis a serem pobres. Um total de 44% das crianças em famílias só de mãe viviam na pobreza.

Ausência do pai impacta na vida sexual

Da mesma forma, a ausência do pai durante a infância pode impactar na vida sexual das meninas. Por consequência dessa falta, elas podem perder a virgindade mais cedo e apresentar comportamentos sexuais de risco.

Foi o que revelou um levantamento da Texas Christian University feito com 64 estudantes do sexo feminino. Ou seja, aquelas que se decepcionaram mais com o pai eram mais propensas a apresentar traços de personalidade mais sexualizados.

A influência positiva da figura paterna

Até aqui, falamos um pouco sobre a importância do pai na vida da criança e o que a sua ausência pode causar. Agora, portanto, vamos detalhar algumas pesquisas científicas que corroboram essa influência positiva da figura paterna.

Antes, vale citar uma pesquisa da Universidade de Toronto, no Canadá. Durante esse estudo, adultos foram submetidos à ressonância magnética para avaliar suas reações quando viam o rosto de seus pais. Nesse momento, observou-se que foram acionadas regiões cerebrais relacionadas a sentimentos de amor.

Crianças enfrentam mais desafios

Outro estudo, da Universidade Estadual da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu que os filhos que têm boas lembranças do pai são mais capazes de lidar com as tensões da vida adulta. E a Universidade de Colúmbia, no mesmo país, concluiu que ter pai presente é essencial para que as crianças enfrentem desafios e reconheçam oportunidades de carreira no futuro. Em contrapartida, as que conviveram sem os pais tiveram mais dificuldades de finalizar as tarefas do dia a dia.

Mais persistência e confiança

Pesquisa da Brigham Young University, nos Estados Unidos, mostrou que pai firme, que demonstra amor e incentiva a autonomia cria filhos obstinados e confiantes. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores acompanharam 325 famílias durante quatro anos. 

Mais ambição na carreira

Você sabia que filhas de pais que dividem as tarefas de casa e têm ideias igualitárias com relação ao gênero são mais ambiciosas no trabalho? Essa foi a constatação de uma pesquisa University of British Columbia, no Canadá.

Ao todo, 196 meninos e 167 meninas de 5 a 11 anos foram avaliados. Como resultado, esse estudo alerta sobre o fato de que as meninas se baseiam no pai para entender o que é esperado das mulheres. 

Pai tem impacto no condicionamento físico dos filhos

Outra influência da figura paterna na criança diz respeito à obesidade. Pesquisa da Universidade de New South Wales, na Austrália, mostrou a alteração de 642 genes ligados às células que produzem insulina no corpo. E o pai foi o maior culpado. Sim, porque uma dieta rica em gordura provoca mudanças no esperma masculino e isso chega aos filhos.

Além disso, vários estudos relatam que o pai tem o maior impacto no condicionamento físico geral e peso de seus filhos. Dentre eles, um verificou que o índice de massa corporal dos pais (e não das mães) está diretamente relacionado ao nível de atividade da criança. Também já se sabe que crianças em casas de pais ausentes têm maior risco de se tornarem obesas. 

Figura paterna ajuda no vocabulário da criança

Isso mesmo! Até no vocabulário da criança o pai tem influência. Prova disso foi um estudo conduzido pelo professor Lynne Vernon-Feagans. Ele mostrou que os pais, e não mães, tinham muito mais influência na proficiência verbal de uma criança.

Mas, como isso é possível, já que as mães costumam passar mais tempo com os filhos? É justamente por isso. Enquanto as mulheres vão usar palavras que a criança está familiarizada, os pais não estão condicionados a falarem somente o que elas sabem. Trazendo, portanto, mais vocabulário para os pequenos.

Crianças preferem brincar com o pai

Geralmente, o pai tem umas brincadeiras mais radicais, não é verdade? E as crianças amam isso! Por exemplo, o pesquisador Michael Lamb, dos Estados Unidos, descobriu que os pequenos preferem a figura paterna durante as brincadeiras. Isso porque eles tendem a ser mais intensos e se entregam mais à fantasia.

Da mesma forma, alguns estudos descobriram o que a maioria dos pais de todo o mundo têm em comum: brincam com seus filhos mais do que as mães. E essa brincadeiras mais fortes, de acordo com a ciência, tornam as crianças resistentes, inteligentes, moral e socialmente hábeis.

Influência começa na gravidez

Pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que essa influência paterna começa durante a gravidez. Assim sendo, revelaram que quanto melhor é o envolvimento, o carinho e o cuidado do homem com a mulher grávida, melhor é a capacidade dos filhos de aceitar mudanças, como a adaptação escolar.

A importância do vínculo

Quem também concorda com isso é a Isa Minatel. “O vínculo com a mamãe, já que a gente nasce de dentro da mãe, é visceral. Por outro lado, o vínculo com o papai é construído. Veja que interessante! Então, ele já pode começar a construir isso desde o ventre. Por isso, coloque música boa pra criança ouvir, fique junto da esposa e estude para ser um bom pai”, orienta.

Mas, se você é mãe solteira e está se perguntando agora se seus filhos serão prejudicados pela ausência dos pais, calma! A boa notícia é que outras pessoas da família podem assumir esse papel e contribuir fortemente para o desenvolvimento da criança. 

Afinal, o importante é ter vínculo familiar, é ter uma educação baseada na firmeza, no amor e no respeito às individualidades da criança. Além disso, para ajudar nessa tarefa, é preciso ter informação, é preciso estudar, como disse a Isa, para oferecermos o melhor aos nossos filhos. 

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