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Como elogiar a criança do jeito certo?

Nem sempre elogiar a sua criança é positivo. Um dos problemas é que o elogio pode criar dependência e problemas de autoestima

Por Danielly Magioni

Elogiar as crianças nem sempre é positivo
Nem todo o elogio é benéfico para a sua criança

Elogiar a criança é sempre bom, certo? Nem sempre! Hoje, já se sabe que certos tipos de elogio podem criar dependência e evitar que seu filho queira enfrentar novos desafios para não perder o título conquistado. Sim, é verdade!

Diversos estudos comprovam os efeitos dos elogios nas crianças. Por exemplo, um teste desafiou meninos e meninas a montar um quebra-cabeças relativamente fácil.

Quando eles acabavam, uma parte era elogiada pela inteligência, com frases como: “Você foi esperto, hein!”. Enquanto as outras crianças receberam elogios quanto ao esforço: “Nossa, como você se empenhou para resolver isso!”.

Em seguida, todos foram submetidos a uma segunda rodada. Dessa vez, eles podiam escolher entre um desafio semelhante ao anterior ou um diferente.

O resultado

Em resumo, a maioria dos que foram elogiados como “inteligentes” escolheu o mesmo desafio anterior. Enquanto que aqueles elogiados como “esforçados” optaram por um desafio diferente.

Ou seja, as crianças já tidas como inteligentes pelos adultos temeram perder o status alcançado. O que poderia ocorrer caso escolhessem um desafio diferente e não conseguissem completá-lo.

Esse estudo foi realizado nos Estados Unidos, por Carol S. Dweck, da Universidade Stanford. Mais de 400 meninos e meninas participaram do teste.

O elogio segundo Montessori

Desde muito antes de as pesquisas comprovarem os efeitos do elogio, Maria Montessori (1870-1952) falou sobre isso. Médica, pedagoga e educadora, ela alertava que nem sempre os elogios são benéficos.

Como explica a psicopedagoga Isa Minatel, os elogios podem resultar em uma necessidade de aprovação externa da qual a criança depender. Além disso, eles eliminam a capacidade de automotivação e de autocrítica.

“Quando a gente está disposto a elogiar de maneira adequada, a criança está sempre disposta a evoluir, a encarar novos desafios. Por outro lado, quando elogiamos de maneira equivocada, ela prefere, muitas vezes, não aumentar o desafio para não perder o status alcançado”, afirma.

Isa é especialista em Montessori e autora do curso Montessori em Casa, do MundoemCores.com. Em outras palavras, ela ressalta que em Montessori não se elogia a criança em demasia e nem se corrige quando faz algo errado. É para isso existe que o controle do erro, em que a própria criança conclui se fez a atividade corretamente ou não.

“Queremos que as crianças sejam autônomas. No entanto, se elogiarmos o tempo todo, elas não desenvolvem a capacidade de autocrítica, de autoafirmação, de autoestima, de ficar feliz com sua própria realização. Muitas vezes aplaudimos tudo, mas nem sempre isso é positivo. Certamente, o ganho da criança já é a sua conquista”, destaca Isa.

O elogia cria vício

E ela vai mais além: “O elogio libera a dopamina. Elogio após elogio faz com que o principal objetivo da criança não seja realizar um trabalho por sua própria satisfação, mas pela agradável sensação de receber um elogio. Da mesma forma que um animal que cumpre o comando para receber um petisco. Ou seja, o elogio cria vício”, alerta.

Os elogios na Disciplina Positiva

Defensora da mesma linha de pensamento, a especialista Elisama Santos, autora do curso Educando com Disciplina Positiva, do MundoemCores.com, faz o alerta. 

“Elogio cria, sim, dependência, pois deixa o foco no outro. Por isso, precisamos que as crianças entendam a importância de comemorar os próprios feitos. Uma vez que a maioria precisa de alguém para dizer que está bom, para elogiar. Mas, elogiar com juízo de valor não faz com que ela reconheça as próprias conquistas”, destaca.

Como elogiar a criança do jeito certo?

Agora que você já entendeu que o elogio nem sempre é positivo, deve estar se perguntando como agir. Por isso, nossas especialistas sugerem que comece por ressaltar o esforço que a criança empregou naquela atividade.

Da mesma forma, vale descrever o que você vê, o que a criança fez. “Ou, ainda, descreva o que sente: ‘Fico muito entusiasmada ao ver esse desenho porque é muito difícil e você conseguiu fazer. Isso é o que eu chamo de persistência! O que achou do desenho?”, sugere Elisama.

Ah, e cuidado para não utilizar a crítica travestida de elogios. Por exemplo, frases do tipo “Finalmente hoje você se comportou” ou “Finalmente escovou os seus dentes“, atrapalham mais do que ajudam.

Algumas opções para evitar os elogios

  • “Veja, o que você fez? Conta pra mim”: e a criança vê valor no que fez e, certamente, nos contará mais
  • “Você se esforçou muito pra fazer isso, né? Está orgulhoso?”: em vez de focarmos no resultado, focamos no esforço e fomentamos a motivação interna da criança
  • “Conseguiu!”: quando percebemos um grande esforço da criança para conseguir algo. É uma boa ocasião para reagir mais efusivamente. Quando ela tenta mais vezes.
  • “Obrigado! Gostei que você fez isso pra mim”: quando a criança faz algo para nos presentear

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