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Crianças têm menos tempo ao ar livre do que presidiários.

Brincar ao ar livre

Seu filho consegue brincar diariamente ao ar livre? No parquinho, na praça ou no parque, por exemplo? Mas e por quando tempo? Pesquisa mostra que presidiários têm mais tempo de banho de sol do que muitas de nossas crianças têm de brincadeiras ao ar livre. Os resultados chocaram inclusive os próprios presos.

Prisão de Segurança Máxima de Wabash, em Indiana, Estados Unidos.

Em um vídeo (em inglês), o entrevistador pergunta aos presidiários como seria se o tempo do banho de sol deles fosse reduzido para 1 hora por dia (é de 2 horas atualmente).

Eles então respondem que seria complicado pra eles, e que isso poderia inclusive deixá-los com mais raiva.

Seria uma “tortura”, ainda segundo um dos detentos. E “potencialmente desastroso”, de acordo com o carcereiro.

Na sequência, o entrevistador explica que muitas crianças têm bem menos tempo do que isso para brincar ao ar livre diariamente. E isso surpreende imensamente os presidiários.

O vídeo completo você pode assistir abaixo:

Essa gravação faz parte da campanha “Free the Kids” (Liberte as crianças).

Ela foi criada pelas Marcas Persil/ OMO, em parceria com Sir Ken Robinson, Especialista em Educação, Criatividade e Desenvolvimento humano – e já conhecido pelos assinantes MundoemCores.com – e o Médico Stuart Brown, fundador do Instituto Nacional do Brincar, nos Estados Unidos.

A Free The Kids nasceu após o resultado de um levantamento feito pela agência independente de pesquisa de marketing Edelman Berland.

Entre fevereiro e março de 2016, os pesquisadores acompanharam a rotina de mais de 12 mil crianças nos EUA, Brasil, Reino Unido, Turquia, Portugal, África do Sul, Vietnã, China, Indonésia e Índia.

A conclusão a que eles chegaram é que a maioria delas, 56%, delas tem apenas uma hora ou menos por dia para brincar ao ar livre.

20% têm 30 minutos ou menos.

E uma em cada dez crianças simplesmente NUNCA brinca do lado de fora de casa ou da escola.

Não é de partir o coração saber que até quem está dentro de uma prisão passa mais tempo curtindo um dia ensolarado do que uma criança?

No vídeo, um dos presos comenta: “Subir em árvores, quebrar a perna. É parte da vida!”.

Isto é “aprender a ser criança”, diz o outro.

Mas crianças têm necessidade de brincar.

Aliás, não só necessidade. Brincar é um direito garantido pela ONU, pela Constituição brasileira e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

“Toda criança terá direito a brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantirem a ela o exercício pleno desse direito.” Convenção dos Direitos da Criança, 1989.

E por que, afinal, as crianças estão brincando cada vez menos na rua?

Medo da violência é um dos motivos, sem dúvida.

Porém, devido ao excesso de compromissos diários, ou às muitas distrações do dia a dia, os pais também têm se distanciado cada vez mais das crianças, muitas vezes deixando os seus pequenos por conta dos celulares, tablets ou TVs.

Esses adultos precisam, eles próprios, saírem de frente das telas e organizarem suas agendas para terem mais qualidade de tempo e mais tempo de qualidade com os seus filhos.  

Outra razão para que as crianças estejam brincando menos é o excesso de compromisso delas.

Muitos pais acreditam que seus filhos têm de estudar um pouco de tudo para se tornarem adultos bem sucedidos. E acabam ocupando as crianças com uma série de atividades extracurriculares, tornando a vida delas cheia de obrigações e responsabilidades.

O maior risco neste caso é que a criança desde cedo desenvolva transtornos comuns em adultos, como ansiedade,  estresse e depressão.

É preciso haver equilíbrio entre a dedicação a essas atividades e momentos para serem apenas crianças.

Mas e quais os benefícios do Brincar ao ar livre?

O contato com a natureza na infância reduz a chance de doenças, segundo José Martins Filho, Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Quem também fala sobre o brincar ao ar livre é o Jornalista Americano Richard Louv, autor do livro “A Última Criança na Natureza”.

No livro, ele reúne uma série de dados de pesquisas do mundo inteiro que mostram como a relação com a natureza contribui com o bem-estar físico, emocional, social e acadêmico. Foi ele inclusive que criou o termo “Transtorno do Deficit de Natureza”.

Louv afirma que “os sentidos das crianças ficam cada vez mais limitados à medida que elas passam menos tempo em áreas naturais. E que doses de natureza são fundamentais para compensar os efeitos do nosso estilo de vida atual”.

O brincar por si só também ajuda no desenvolvimento da empatia, da autoestima, da resiliência e da capacidade de resolver problemas, só para início de conversa.

Mas confira o que mais a Luciane Mota, do nosso Curso Desenvolva o seu Filho Brincando, fala sobre as habilidades desenvolvidas a partir do brincar.

Voltando  ao vídeo da Campanha “Free the Kids”, ao final dele o entrevistador pergunta a um dos presidiários: E se você pudesse ter um desejo seu atendido, qual seria?

Ele então responde: “Eu desejaria poder levar meu filho ao parque hoje”.

E você? Para onde pode levar o seu filho hoje? Nosso desejo é que seja para um lugar (ao ar livre) em que vocês possam aproveitar um precioso tempo juntos!

Depois conta pra gente como foi.

Quer aprender mais sobre a primeira infância? Então conheça os cursos da Escola de Pais online MundoemCores.com.

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