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Como lidar com a briga entre irmãos

Confira as principais pesquisas sobre a relação entre irmãos, um alerta sobre o bullying dentro de casa e, também, dicas de como agir diante dessas situações

Por Danielly Magioni

Seus filhos costumam brigar? Como você lida com isso? Ao longo deste texto você vai descobrir qual é a maneira mais adequada de agir com as suas crianças. Mas, antes, entenda que mesmo disputando brinquedos, a sua atenção, desorganizando a casa e até brigando mais do que brincando, é inegável a importância de um irmão. Isso porque, dentre outros fatores, ele ajuda no desenvolvimento da compreensão da criança sobre o mundo, sobre o outro.

E a ciência já provou isso. Por exemplo, um estudo das Universidades de Leicester e Ulster, no Reino Unido, comprovou que ter uma irmã só faz bem. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que isso pode ajudar a manter bons níveis de saúde mental, pois estimula a independência, a persistência e uma vida mais equilibrada.

Durante o trabalho, foram acompanhadas 571 pessoas entre 17 e 25 anos, e o resultado revelou, ainda, que os benefícios de ter uma menina/mulher em casa se estendem à toda a família, uma vez que elas são ensinadas a lidar melhor com os sentimentos e também a encorajar as pessoas próximas a falarem sobre as suas emoções.

Outro estudo mostrou que tanto as crianças mais novas quanto as mais velhas aprendem e muito nessa relação, embora muitos pensem que somente o menor seja influenciado pelo maior. Pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, chegaram à essa conclusão após avaliarem mais de 400 duplas de irmãos de um ano e meio a quatro anos de idade.

Além disso, eles descobriram que quanto maior a diferença de idade entre os pares, maior a influência de um sobre o outro. E que o primeiro filho se desenvolve mais rápido por causa do caçula, principalmente no que diz respeito à independência. Em resumo, ter um irmão o ajuda a ser uma pessoa melhor.

Outras pesquisas sobre irmãos

Recentemente, a Revista Time, dos Estados Unidos, mostrou diversos benefícios que um irmão pode trazer. Investigadores da Brigham Young University, no mesmo país, acompanharam 308 pares de irmãos adolescentes por três anos e descobriram que as irmãs ajudam a estimular a atividade cerebral e que até mesmo as discussões contribuem para desenvolver a mente e o comportamento.

Outro ponto positivo nessa relação é que auxilia no desenvolvimento da simpatia, no desejo de ajudar o próximo e na compaixão. Investigadores desvendaram que ter uma boa relação com o irmão ou a irmã promove ações de altruísmo, principalmente entre meninos.

Quer mais? Também já se sabe, por meio de um novo estudo, que as pessoas mais velhas que ainda têm irmãos são mais felizes e têm um maior sentido de ética. Ou seja, os benefícios se estendem ao longo da vida. E, por falar nisso, uma investigação da PLoS Medicine revelou que quem não tem hábitos sociais morre sete anos e meio mais cedo do que os que têm laços fortes com amigos e família.

E, acredite, ter um irmão diminui as chances de as crianças se tornarem obesas. Isso mesmo! Um estudo publicado na revista Pediatrics, em 2013, analisou o índice de massa corporal de 697 crianças dos Estados Unidos a cada três meses durante os seis primeiros anos de vida. Aquelas que presenciaram o nascimento de um irmão quando tinham entre 2 e 4 anos, apresentaram índice mais saudável.

A ordem de nascimento das crianças interfere?

Alguns estudos analisaram a ordem de nascimento das crianças e qual é o impacto no seu desenvolvimento. Um exemplo disso é o trabalho das Universidades de Edimburgo, na Escócia, e de Sydney, na Austrália, revelando que o filho mais velho tem QI maior do que os mais novos.

Para os pesquisadores, isso se deve à maior interação dos pais com o primeiro filho, ao maior nível de atenção que essa criança recebe até mesmo por ser única. Depois, ela vivencia o papel de líder, o que influencia positivamente. O estudo foi publicado em 2017 e observou 5 mil crianças desde o nascimento até os 14 anos, sempre a cada dois anos.

Mas, não pensem que somente o mais velho tem vantagens. Tanto o do meio quanto o mais novo tiram proveito das suas posições de alguma forma. O do meio, por exemplo, tem mais facilidade em lidar com pessoas de diferentes personalidades e, via de regra, é o mais satisfeito e feliz em relacionamentos amorosos. Foi o que apontaram entrevistas feitas com 298 participantes por estudiosos da Universidade Bar-Ilan, em Israel.

Agora, se você pensa que o fato de eles receberem menos atenção só traz prejuízos, engana-se. Por terem passado menos tempo com os pais na infância, os irmãos do meio desenvolvem um grande círculo social, com amizades fortes e duradouras. Esse foi o resultado de um estudo feito pela Universidade de Redlands, nos Estados Unidos, com base em questionários respondidos por 400 estudantes de graduação.

Ok, mas, e qual a vantagem em ser o caçula da família? Esse pode apresentar um desenvolvimento mais acelerado por ter um irmão mais velho como referência. E, ainda, ter mais liberdade, uma vez que é criado sem tantas regras rígidas, como costuma ocorrer com os primogênitos. Com isso, tem mais chances de se arriscar.

Até pode ser que durante a infância os caçulas sejam chamados de rebeldes, mas na fase adulta esse espírito livre resulta em coragem e ousadia para lidar com os desafios. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, revisaram 24 estudos sobre a ordem de nascimento e concluíram que os filhos mais novos participam de mais esportes radicais, por exemplo.

E por que irmãos brigam?

É claro que o filho mais velho, por ter mais responsabilidades, e o mais novo, que tem mais liberdade, podem entrar em conflito justamente por esses motivos. Porém, você já reparou que existem irmãos que brincam por horas e outros que não podem nem se ver que começam uma briga? Por que isso acontece?

Especialistas sugerem causas como o próprio ambiente em que eles são criados, a genética, os amigos, os temperamentos conflitantes e a atenção dada pelos pais. Sim, alguns pais e mães, até mesmo sem perceber, estão mais disponíveis para um filho do que para outro. Mas, é bom frisar, mesmo que as brigas e discussões entre os irmãos ocorram, existe um lado positivo, pois isso ajuda a desenvolver as capacidades sociais, fundamentais para a vida fora de casa.

Em se tratando de temperamentos, por exemplo, Aristóteles e Hipócrates estabeleceram que existem quatro deles, e cada pessoa tem pelo menos um que predomina. Quem é colérico tem um grande risco de ser explosivo; quem é sanguíneo normalmente é instável; o melancólico tem facilidade para cair na tristeza; enquanto que o fleumático pode se fechar e precisar que o outro o empurre.

O que pode acontecer entre irmãos é que alguns desses temperamentos se combinam e são essas crianças que vão brincar juntas e conversar. Já outras têm temperamentos que acabam conflitando e que precisam ser trabalhados para entrar em equilíbrio. Brigas entre irmãos sempre vão ocorrer, mas em algumas relações elas são bem mais frequentes.

No Curso Temperamentos da Criança ao Adulto (clique aqui), do MundoemCores.com, Isa Minatel mostra o resultado de um estudo feito por ela com centenas de famílias. Ele revelou verdadeiros padrões de comportamento e isso vai ajudar outras pessoas a identificar o tipo de temperamento predominante, a lidar com ele, a extrair o seu melhor e a evitar conflitos.

Bullying entre irmãos

Em 2013, uma pesquisa da Universidade Clemson, nos Estados Unidos, revelou que o bullying entre irmãos predomina nessa relação. Dentre os participantes, 75% relataram ter sofrido esse tipo de violência por parte do irmão e 85% disseram ter cometido bullying contra um irmão.

E, quem pensa que essas brigas são inofensivas, deve saber que um estudo da Universidade de New Hampshire, no mesmo país, e publicado pela revista Pediatrics, descobriu que ser fisicamente ou mentalmente intimidado por um irmão gera graves consequências para a saúde mental das crianças.

Outro dado importante é que o bullying entre irmãos pode levar à ansiedade, raiva, depressão e a um alto índice de estresse. Por isso, fique atento à forma como o relacionamento entre seus filhos acontece. Por exemplo, se há a intenção de machucar o outro física ou emocionalmente, se ocorre com frequência e se há um desequilíbrio de poder.

A pesquisa foi realizada com 3.599 crianças de 1 mês a 17 anos que tinham pelo menos um irmão menor de 18 anos vivendo na mesma casa no momento da entrevista. Dentre os entrevistados, 32% relataram ter sofrido pelo menos um tipo de violência por parte do irmão no período de um ano.

Além disso, pesquisadores das Universidades de Oxford, Warwick, Bristol e College London, no Reino Unido, realizaram um estudo sobre bullying entre irmãos com cerca de 7 mil crianças de 12 anos em 2003/2004. Esse grupo foi acompanhado até completar 18 anos e, então, respondeu a perguntas sobre sua saúde mental.

Esse estudo alega ser o primeiro a associar o impacto do bullying praticado por irmãos a problemas psiquiátricos no início da fase adulta. O resultado revelou que a maioria disse não ter sido vítima e, desses, 6,4% tinham algum tipo de depressão, 9,3% sofriam de ansiedade e 7,6% haviam se automutilado.

Já aquelas que responderam ter sofrido bullying, um total de 786, apresentaram o dobro das taxas das outras crianças: 12,3% tinham algum tipo de depressão, 14% haviam se automutilado e 16% disseram sofrer de ansiedade. Além disso, as meninas tinham maior propensão a serem vítimas, principalmente em famílias com mais de três crianças. E, geralmente, os mais velhos eram os culpados pelo bullying, que, segundo as vítimas, teve início aos 8 anos de idade.

Como lidar com a briga entre irmãos

As brigas entre seus filhos são frequentes e estão te enlouquecendo? O primeiro passo é manter a calma. O segundo é evitar se tornar o juiz da situação, uma vez que se agir assim, terá que resolver as divergências entre eles para sempre, poderá cometer injustiças e também deixará passar uma grande oportunidade de que desenvolvam habilidades. Por isso, espere para que eles se entendam.

Mas, se você achar necessário interferir, prefira atuar como um mediador. Uma boa maneira de fazer isso é se aproximar para entender o que está acontecendo. Você pode comentar, por exemplo: “Nossa, estou vendo que essa é uma situação complicada. O que vocês podem fazer para resolver isso?”. Sempre deixando a solução para as crianças.

Porém, se houver uma briga mais séria, com agressões físicas, intervenha, mas, novamente, sem bancar o juiz. Chame cada um para um lado, diga que estão nervosos e que, dessa maneira, eles não serão capazes de resolver o problema. “Vocês precisam se acalmar e, quando isso acontecer, vocês sentam e se resolvem”.

Outra dica é evitar culpar sempre o mais velho e obrigar que ele ceda, como acontece na maior parte dos casos. Vá até ele e reconheça o que está sentindo. “Filho, eu sei que você está muito chateado porque estava brincando e seu irmão pegou o brinquedo. Que tal a gente tentar dar outro brinquedo para ele?”.

“O irmão mais velho não é o responsável pelos menores, não é sempre o culpado e não tem que virar saco de pancada do caçula só porque é maior. Crianças não compreendem a nossa lógica e não funcionam do nosso jeito, e nada mais comum para elas do que concluir que papai, mamãe e todos os adultos do mundo amam mais o filho mais novo”, explica Elisama Santos, do Curso Educando com Disciplina Positiva (clique aqui), do MundoemCores.com.

E, por falar em brinquedos, uma boa ideia é orientar que cada criança separe aqueles de que mais gostam e também aqueles que são comuns a todos. É bom deixar os dos mais velhos longe do alcance dos menores, até mesmo porque eles não saberão como utilizar corretamente e poderão danificar o objeto.

Bom, você já viu aqui que o melhor é não se envolver. Mas, esteja sempre por perto e observe se as brigas não estão se tornando mais sérias e evoluindo para bullying. É importante deixar claro que esse comportamento não será tolerado. Evite, também, disciplinar os filhos com agressividade. Assim, estará dando o exemplo correto de como eles devem agir.

Aposte, ainda, em desenvolver um diálogo na família e encontre maneiras positivas de os irmãos interagirem. Promova jogos em família ou um show de talentos, por exemplo. Vale, também, ensinar às crianças algumas maneiras de se acalmar durante a raiva, entre elas, se afastar, respirar fundo 10 vezes ou até mesmo bater em uma almofada. Combinem antes uma maneira de extravasar esse sentimento.

Agora, se a situação na sua casa envolve um bebê que acabou de chegar, é preciso ter em mente que o filho mais velho vai sentir muito essas mudanças. E não adianta dizer para ele que nada vai mudar, pois muda. Por isso, mesmo com a rotina corrida, tente reservar um momento do dia exclusivamente para o primogênito e o envolva nos cuidados com o bebê.

“Receber um irmão não é nada fácil. E o fato de ser exaustivo para nós não nos dá o direito de descontar neles, de esquecer que continuam sendo crianças que precisam de nós, do nosso colo. Se o mais velho está pedindo atenção, é porque está precisando. É porque o bebê sacudiu o mundo que ele conhecia e isso dá muito medo e insegurança”, explica Elisama Santos.

Se você gostou desse texto e quer aprender mais recursos para lidar com a sua criança, conheça os nossos cursos, como o Educando com Disciplina Positiva e o Temperamentos da Criança ao Adulto. Essa é uma boa maneira de entender a infância e de lidar com seu filho para conquistar a sua cooperação, sem perder a autoridade, mas mantendo o amor e o vínculo entre vocês.

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