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Como ajudar a criança a dormir melhor

É possível ajudar seu filho a ter uma noite de sono reparadora e saudável apenas entendendo como se dá o seu desenvolvimento, sem precisar deixar a criança chorando

Por Danielly Magioni

Uma pesquisa inglesa revelou que pais e mães, principalmente as mulheres, dormem mal por seis anos após terem filhos. O que muita gente não sabe é que o sono das crianças é fundamental para o seu desenvolvimento e que, com um pouco de conhecimento sobre pesquisas recentes, é possível garantir uma noite tranquila, sem que para isso seja necessário deixar os pequenos chorando.

Mas, por que dormir é tão importante? Durante o sono é liberado o hormônio do crescimento (GH), que também ajuda na manutenção do tônus muscular, evita o acúmulo de gordura e a fragilidade dos ossos, proporcionando mais disposição. Ou seja, ao ter um sono de qualidade, a criança cresce e recupera as energias.

Da mesma forma e igualmente importante, os fatos vivenciados pela criança e tudo o que ela aprendeu ao longo do dia são memorizados e essas informações são organizadas em categorias no cérebro durante o sono. A especialista do MundoemCores.com Paula Kageyama, autora do curso online Guia do Sono Infantil (saiba mais), explica que boas noites de sono contribuem para o bom desenvolvimento físico e para o aprendizado dos pequenos.

Por exemplo, uma pesquisa da Universidade Sapienza de Roma, na Itália, revelou que a quantidade e a qualidade do sono estão intimamente relacionadas com a capacidade de aprendizado. Outro estudo, da Universidade de Helsinki, na Finlândia, avaliou 60 crianças de 6 a 13 anos e chegou à conclusão que a privação de sono afeta a memória em atividades escolares.

Isso quer dizer que é durante o sono que o cérebro do bebê processa e armazena todas as informações adquiridas durante o dia. Ou seja, sem um sono eficiente e restaurador, algumas dessas informações podem se perder.

Em resumo, crianças que não dormem o suficiente podem apresentar irritabilidade e impulsividade, falta de atenção e concentração, desânimo e desmotivação, baixa tolerância à frustração, deficiência de memória, baixo rendimento motor e diminuição dos reflexos, dores de cabeça, propensão a acidentes, dentre outros.

Para Paula Kageyama, outros sinais de que algo não vai bem são: quando a criança não desperta sozinha pela manhã, sendo necessário que alguém sempre a ajude; quando ela dorme muito tarde, após 21 horas; quando não consegue se manter acordada dentro do carro, até mesmo em um trajeto curto; quando parece “brigar” com o sono, como se não gostasse de dormir; ou quando “desmaia” muito mais cedo em algumas noite.

Quanto tempo meu filho precisa dormir?

É claro que cada criança é única e as características individuais podem variar, porém a organização National Sleep Foundation, dos Estados Unidos, divulgou uma tabela atualizada com a quantidade de tempo de descanso considerada apropriada para cada faixa etária.

Bebês de 0 a 3 meses, por exemplo, deveriam dormir de 11 a 19 horas, contando as sonecas durante o dia; os de 4 a 11 meses, um total de 10 a 18 horas; com 1 e 2 anos de idade, o período ideal vai de 9 a 16 horas de sono; com 3 e 4 anos, a quantidade de horas diminui para 8 a 14 horas; e dos 6 aos 13 anos, a criança deveria dormir de 7 a 12 horas.

Algumas questões relacionadas ao sono

Sonecas. As sonecas diurnas serão necessárias até por volta dos 3 anos de idade, quando então o sono passará a ocorrer só durante a noite. Porém, ao longo de toda a vida sempre haverá uma tendência para uma soneca no período da tarde e é preciso observar a necessidade da criança: mesmo que ela já tenha 3 anos, mas continue mostrando sinais de sono em determinado horário do dia, coloque-a para fazer a soneca.

Ansiedade. Pode levar a criança a ter dificuldade para adormecer ou para prolongar a noite de sono. Em alguns casos, ela pode estar estressada e esse estresse crônico pode acarretar uma série de problemas, tanto psicológicos quanto físicos, e um efeito colateral frequente é o agravamento do sono. Também é possível que as crianças e adolescentes que têm um sono ruim tenham níveis mais elevados de cortisol, que é o hormônio do estresse.

Insônia. É um problema raro na infância, mas pode ocorrer e, geralmente, tem origem comportamental. Um estudo da Norwegian University of Science and Technology, da Noruega, com mil crianças de até 6 anos, revelou uma associação entre a insônia e problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e TDAH.

Sonambulismo. Uma pesquisa da Universidade de Montreal, no Canadá, mostrou que 47% das crianças que têm um dos pais com histórico de sonambulismo apresentam a mesma alteração. Quando ambos os pais são sonâmbulos, a ocorrência sobe para 61%.

Xixi na cama. A enurese noturna, o famoso xixi na cama, é considerado normal até os 5 anos de idade. Isso porque o mecanismo biológico que faz esse controle ainda está em amadurecimento. É importante lembrar que o xixi “escapa” de forma involuntária, sem a criança ter feito de propósito. Ela não faz isso para chamar a atenção ou porque quer. Então, a criança JAMAIS deve ser castigada ou ridicularizada porque fez xixi na cama.

Naninha. A famosa naninha, que nada mais é do que um objeto de estimação, de apego, é benéfica porque transmite segurança para a criança. Pode ser uma fraldinha, uma bonequinha ou um bicho de pelúcia, e o ideal é que seja oferecida somente nos horários de sono, pois, ao se encontrar com o objeto de apego, a criança sente um aconchego e percebe que é hora de dormir. A naninha também pode ajudar a criança a voltar a dormir sem precisar de auxílio dos cuidadores quando acorda no meio da noite.

Obesidade. Esse é um problema crônico e suas causas estão ligadas a vários fatores, sendo a falta de sono um deles. Diversas pesquisas estão associando a curta duração do sono na primeira infância com a obesidade. Além do sono deficiente, o padrão de sono (matutino/vespertino) e a hora em que a criança vai dormir também podem contribuir para o risco de obesidade. Estudos com crianças e adolescentes relacionaram a hora de dormir tardia (após 21h) e a variação na hora de dormir (dorme em horários diferentes conforme o dia da semana) com maior ganho de tecido adiposo.

Saltos de desenvolvimento. São ganhos de habilidades intelectuais e motoras que ocorrem em determinados períodos na vida da criança. O ritmo de desenvolvimento não é constante, existindo fases em que ele ocorre de maneira mais acelerada. Quando o bebê adquire uma nova habilidade, ele fica tão agitado e alegre com a nova conquista que a quer exercitar o tempo todo, inclusive dormindo. Assim, durante o salto de desenvolvimento o bebê pode não dormir tão bem. A duração de cada salto varia bastante, mas geralmente demora cerca de uma semana.

Massagem. A shantala é um tipo de massagem que foi descoberta por um médico francês chamado Frederick Leboyer, quando ele passeava pela Índia, nos anos 70. Ele verificou que a técnica era milenar e amplamente utilizada. O vínculo criado entre o bebê que recebe a massagem e quem a faz é de extrema importância e auxilia muito para um sono tranquilo. A massagem é indicada após o 1º mês de vida até a idade pré-escolar e é feita utilizando-se um óleo vegetal.

Viagens. Quando a família precisa fazer uma viagem, é importante tentar manter o máximo possível os horários das sonecas, das refeições e também o horário de ir para a cama. A criança pode até estranhar outras mudanças, como o ambiente, as pessoas, a cama, mas se você conseguir oferecer as sonecas e mantiver os horários da alimentação, isso pode colaborar para que ela não sinta tanto as alterações na rotina.

No quarto. Verifique o conforto no ambiente em que a criança vai dormir. Frio e calor são fatores que podem fazer com que ela acorde no meio da noite. Verifique sempre se a temperatura e a circulação do ar no quarto estão agradáveis e também o nível de iluminação. Durante a noite, o ideal é que o quarto esteja escuro para não atrapalhar a produção de melatonina, o hormônio do sono. Procure utilizar cortinas que bloqueiem a entrada da luz.

Tela. Uma pesquisa feita pela Divisão de Medicina do Sono da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, constatou que o uso indiscriminado de smartphones, laptops e tablets pode causar problemas no sono. O motivo não está somente nas horas gastas em frente a esses aparelhos, mas principalmente na luz branca que eles emitem. A luz artificial que atinge a retina ao anoitecer inibe as substâncias necessárias para promover o sono, ativa neurônios e cria uma excitação que impede a liberação da melatonina. Diante disso, ela poderá ter dificuldades para adormecer e manter um sono de qualidade.

Angústia de separação. A ansiedade ou angústia de separação, como explica nossa especialista do sono, Paula Kageyama, se manifesta a partir dos seis meses, quando o bebê começa a ter consciência de que é um ser separado da mãe, e pode durar até os dois anos. E isso faz com que a criança fique angustiada, chore mais e passe a solicitar mais a presença materna. Tudo isso pode, sim, refletir no sono da criança. Porque quando ela fecha os olhinhos para dormir, também é um momento de separação da mãe. Sendo assim, para evitar essa “separação”, a criança resiste mais ao sono. A boa notícia é que se trata de mais uma fase passageira. Uma boa dica para amenizar essa sensação é brincar de esconde-esconde. A mãe também pode dar pequenas saídas sem a criança.

Dicas para ajudar a criança a dormir melhor

A principal dica para ajudar a sua criança a dormir melhor é estabelecer uma rotina. Uma pesquisa da Universidade de Saint Joseph, nos Estados Unidos, acompanhou 405 famílias com filhos de 7 meses a 3 anos. E os resultados mostraram que o simples fato de a criança ir para a cama no mesmo horário todas as noites melhora a continuidade do sono noturno e, como consequência, contribui para o bom humor das mães.

Mas, é bom lembrar que essa regularidade só se torna possível a partir do quinto mês de vida, que é quando o bebê passa a produzir a melatonina – o hormônio que induz à sonolência – dando sinais para o organismo de que é o momento de dormir. Portanto, quando seu filho completar cinco meses, comece a estabelecer um ritual de sono, que deve ser repetido diariamente.

Durante o dia, é importante aprender a observar quando a criança demonstra sono e colocá-la para dormir imediatamente. Caso seu bebê não descanse durante o dia ou tire apenas sonecas muito curtas, à noite ele estará com tanto cansaço acumulado que seu organismo liberará um hormônio chamado cortisol, o hormônio do estresse, que o impedirá de relaxar e dormir.

Vale, também, incentivar as brincadeiras e os passeios ao ar livre durante o dia para que a criança tome um pouco de sol, faça atividade física e diminua o uso de aparelhos eletrônicos de tela. Dedique um tempo exclusivo para a criança. Isso transmite segurança e a fará dormir melhor. Outra dica é cuidar da alimentação, dando preferência para o que é saudável e evitando café, chocolate, açúcar e outros tipos de alimentos industrializados, que atrapalham o sono.

Além disso, elabore uma sequência de atividades com seu filho para serem repetidas todos os dias. O ritual noturno ajuda a sinalizar para a criança que a hora de ir para a cama está chegando. Entre o fim da tarde e início da noite, diminua as luzes da casa, falando mais baixo e desligando aparelhos eletrônicos. Assim, ela ficará menos agitada antes de ir para a cama. O ideal é colocá-la para dormir cedo, para que adormeça com mais facilidade.

Antes, você pode incluir no ritual noturno um banho, uma massagem, colocar o pijama, tomar a mamadeira (mamar no peito se for o caso), fazer a higiene bucal, contar histórias, cantar uma música, rezar e o beijinho de boa noite. Esse processo todo deve ser feito com muito carinho, pois o objetivo é que a criança se sinta segura e amada para dormir tranquila.

E, para finalizar, o principal: mantenha a calma e tenha paciência na hora de colocar a sua criança para dormir. Quando seu filho percebe que o clima da casa está tranquilo, ele também se tranquiliza e dorme mais facilmente.

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